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Enquanto Jaques Wagner ‘espera’ Lula, ACM Neto se movimenta, por Raul Monteiro*

A baixa movimentação do senador Jaques Wagner (PT) com relação à sucessão estadual tem incomodado seus aliados, para os quais ele só deve começar a se mover no próximo ano, quando o ex-presidente Lula começar suas incursões pelo Nordeste e a Bahia. É o oposto do que faz no momento o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), que intensifica sua agenda especialmente pelo interior, visitando municípios, conversando com lideranças e colhendo informações que devem ajudar na formatação do seu programa de governo para o Estado.

Praticamente três anos depois que resolveu abortar o plano de concorrer ao governo para concluir seu mandato à frente da Prefeitura de Salvador, frustrando uma legião de correligionários e amigos, Neto deflagra sua pré-campanha sem precisar mais se justificar. Afinal, deixou a Prefeitura no auge da popularidade e ainda conseguiu eleger o sucessor, com o qual conta de forma estratégica para a tarefa de auxiliá-lo na corrida sucessória. A postura de Wagner, por outro lado, não esconde seus planos: ele aposta basicamente no apoio de Lula para se eleger.

Para o petista, dizem os mais próximos, aventurar-se pelo interior neste momento, comendo sal e poeira, portanto, repetindo a trajetória de 2006, quando elegeu-se governador pela primeira vez, seria apenas perda de tempo, porque, em sua avaliação, também segundo o círculo que o acompanha, quem vai definir o próximo governador baiano será a refrega entre o petismo e o bolsonarismo, duas forças de pesos claramente desproporcionais no eleitorado baiano, pelo menos de acordo com as pesquisas em poder de quem busca avaliar o quadro de 2022.

De fato, Wagner, tanto quanto os demais pré-candidatos, sabe que o ex-presidente é uma liderança consolidada na Bahia, da mesma forma que a elevada rejeição ao presidente Jair Bolsonaro também se consolida no Estado, numa medida que nem mesmo um bolsa-família ultraturbinado de R$ 400 pode ser capaz de reverter, conforme avaliação de seus próprios aliados. Não é por acaso que o time mais próximo do ministro da Cidadania, João Roma, que um dia se animou com a possibilidade de disputar o governo, já o aconselha a focar em sua reeleição à Câmara dos Deputados.

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