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PSICÓLOGA CAMILA JARDIM fala um pouco sobre o luto

Luto é um processo natural, desencadeado por qualquer rompimento de vínculo afetivo.E o processo de luto é o que há de mais individual, conflituoso e desorganizador que nós, seres humanos podemos viver, porque é o momento em que nos encontramos no auge da nossa fragilidade e vulnerabilidade.

E durante o decorrer da vida, também podemos sentir o luto de outras perdas, como divórcio, luto pelo animal de estimação doméstico, pela perda gestacional, rompimentos bruscos, como a saída dos filhos de casa e saída de um lugar onde se trabalhou por muito tempo.

Mas precisando ter cuidado, porque a medida em que vamos negando esse processo de luto, teremos a dificuldade em resignificá-lo.

Por que é tão difícil reconhecer/ aceitar uma perda? Vivemos em uma sociedade em que é muito difícil viver os nossos lutos de forma saudável, o luto pode não ser suportado socialmente, um reflexo disso, pode ser às redes sociais, onde todo mundo, parece ser feliz o tempo todo. A sociedade exige um modo que é incompatível com a nossa condição humana.

Nós não podemos “liquidar” as nossas dores, infelizmente elas nos acompanham aonde nós formos. Somos seres humanos, nós podemos trabalhar, produzir, mas quando não estivermos bem, está tudo bem em não estar feliz em determinados momentos.

O tempo para lidar com o luto é muito variável, você já pode ter se perguntando sobre “quanto tempo eu vou ficar com essa dor?” O luto é o processo mais individual que se tem, eu posso lidar com a mesma dor que você, e podemos ter reações diferentes, existe muita diferença de como cada um reage.

A gente não pode dar garantias da duração do luto, o luto não é uma doença, mas ele pode virar, caso você não tenha condições de lidar com ele sozinho, e deve recorrer a profissionais que podem te ajudar a lidar com esse momento.

Não existe remédio milagroso para o luto sumir, você precisa vivenciar a sua dor, da sua forma, você pode chorar o quanto quiser e depois disso sorrir, sair de casa, ir tomar um café com um amigo, nós não podemos nos colocar em uma caixinha e viver dentro de um padrão, embora os estágios do luto seja um fato, mas cada um pode vivenciar unicamente de sua forma, e oscilação emocional nesse momento, pode ser muito saudável, porque você está tentando viver a sua vida mas sem negar que essa dor está ali presente. Navegar entre a dor e a vida é muito mais saudável.

É importante lembrar que nesse momento, posicionamentos de julgamentos não ajudam em nada, e pode ser cruel tal tipo de julgamento. O fato de termos perdido alguém especial e ter momentos de risos, não precisa ser julgado. Precisa-se evitar isso, “nossa, perdeu a pessoa agora e já está saindo”. O julgamento, a saída, o riso, não invalida a dor, a dor está ali, está presente, e a pessoa precisa encontrar formas de lidar com tudo isso e seguir a vida, é importante que seja sem julgamentos, pois esses comentários ferem muito.

Temos que ter muito cuidado com aquilo que a gente fala.

Busque espaço seguro para que você possa “ventilar” as suas dores, porque isso é imprescindível para que o seu processo de luto consiga ser concluído e que você possa encontrar uma ressignificação dessa dor, uma restauração dessa dor, ou seja quando a gente consegue dar um novo significado para aquela perda. Você pode se encontrar em um estado de luto onde sente a sua impotência máxima, como se estivesse inflamado em carne viva, e em geral, quando a gente entra em contato com essa dor, conseguimos ir para a nossa potência máxima, porque a gente vai descobrir competências, habilidades nossas, que a gente nunca imaginou que teria, e se abre um mundo novo, se abre um mundo de mil possibilidades.

Para a gente aliviar a nossa dor, a nossa tristeza, podemos falar ou não falar sobre? É uma questão muito individual, funciona para uns poder falar, para outros pode funcionar não falar, e também há aquelas pessoas que não tem coragem de pedir ajuda, pois algumas pessoas negam a dor e isso invalida e desaprova o que a gente sente, por medo, timidez, introspecção, então a melhor forma de lidar com a dor do outro, é perguntar como o outro que lidar sobre o luto. Pois o luto faz parte das nossas vidas, então nada melhor do que olhar para esse lado com um pouco mais de cuidado e carinho.

Atenciosamente,

Psicóloga Camila Jardim
Tel. (73) 998341786

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