O papel do Governo no Saneamento Básico é central, fundamental e indelegável.
Por se tratar de um serviço público essencial, com fortes externalidades positivas (saúde e meio ambiente) e características de monopólio natural, o Estado detém a titularidade e a responsabilidade final pela prestação, regulação e planejamento do setor. O sucesso na universalização depende da capacidade do governo de atuar como planejador, regulador, investidor e fiscalizador.
1. Planejamento e Visão de Longo Prazo
O principal papel do governo é estabelecer a Visão de Longo Prazo através do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB) e dos planos municipais (PMSB).
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Priorização e Universalização: O governo deve definir as metas de expansão do serviço, priorizando a universalização com foco na equidade, garantindo que as áreas mais pobres e rurais sejam atendidas, e não apenas as áreas mais rentáveis.
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Regulação e Normatização: Cabe ao governo criar o marco regulatório, definir as regras de concessão, as diretrizes de qualidade (padrões de água e efluentes) e os mecanismos de fiscalização para garantir que os prestadores de serviço (públicos ou privados) cumpram os contratos. A Agência Reguladora é a guardiã do equilíbrio econômico-financeiro e da qualidade do serviço.
2. Investimento e Financiamento Estratégico
Embora o setor privado possa ser um parceiro importante (via PPPs e concessões), o governo tem a responsabilidade de garantir o financiamento do setor, especialmente em projetos sociais de baixa rentabilidade.
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Recursos Públicos e Subvenção: Obras de saneamento em comunidades carentes frequentemente não geram retorno tarifário suficiente. O governo deve alocar recursos do Orçamento (Orçamento Geral da União, recursos estaduais e municipais) e fundos setoriais para subsidiar essas obras e manter a tarifa acessível para a população de baixa renda (Tarifa Social).
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Atração de Capital Privado: Cabe ao governo estruturar projetos (PPPs e concessões) com segurança jurídica e contratos robustos para atrair o investimento privado, transferindo os riscos de execução e operação, mas mantendo a fiscalização rigorosa.
3. Fiscalização e Accountability
O governo, através de seus órgãos técnicos, deve ser o fiscal rigoroso da execução das obras e da qualidade do serviço.
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Monitoramento da Qualidade: Fiscalizar o padrão da água fornecida (potabilidade) e o nível de tratamento do esgoto (eficiência na remoção de poluentes).
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Transparência e Participação Social: Garantir que o Plano Municipal de Saneamento Básico seja construído com a participação social e que todos os dados de investimento, qualidade e metas sejam transparentes e acessíveis ao público. Obras
O papel do governo é garantir que o saneamento, como direito humano, seja universal, eficiente, acessível e ambientalmente sustentável, protegendo o interesse público de longo prazo.
Fonte: Izabelly Mendes.
